Foda-se!
Vou enfrentar-te até os últimos dias de minha existência
Quero ter o direito de gritar
De soltar o meu grito desumano.
O teu sorriso cínico e tua fala ideologizada não me farão calar.

Aguentas, pois a luta vai ser longa.
Aguentas, pois não tenho medo de ir.

Escutas então, a mais bela sinfonia.
De uma realidade menos morta, menos mentirosa.
A sinfonia de palavras presas na garganta.

Afasta de ti esse cale-se.

 

Cálice

Maria Bethânia

Composição: Chico Buarque de Hollanda /Gilberto Gil

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embreagar até que alguem me esqueça

Tenho muito pouco para dizer hoje
Bela música, excelente composição… Momento perfeito.
Hasta luego.

//

Boa Sorte / Good Luck

Vanessa da Mata & Ben Harper

Composição: Vanessa da Mata e Ben Harper

É só isso
Não tem mais jeito
Acabou
Boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará

Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais

That’s it
There is no way
It’s over
Good luck
I have nothing left to say
It’s only words
And what l feel
Won’t change

Tudo o que quer me dar
Everything you want to give me
É demais
It too much
É pesado
It’s heavy
Não há paz
There is no peace
Tudo o que quer de mim
All you want from me
Irreais
Isn´t real
Expectativas
Expectations
Desleais

Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais

Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this person
Who advises you
There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special people in the world
So many special people in the world… in the world
All you want all you want

Now were falling into the night

Terra

Quero que passes rápido por mim…
Não deixe gravado vestígios de ti…

Voe…
Atravesse os campos da minha visão e apenas vá embora…

Deixe a claridade beijar-me os olhos,
para que assim tenha certeza de que estes ainda são tempos de mudança…
Quero ver o céu sendo tomado…
as manchas vermelhas duma revolução surgindo…
muros sendo destruídos…

Cansamos de ser dopados…
Não quero dormir…

Devolva-me apenas os sonhos…

Aquele Sobre Momentos

31 Agosto, 2007

Lênin

Existe um dado momento…

Algo de mais sublime na nossa existencia…

Um dado momento, quando entendemos por que ainda devemos acreditar em borboletas verdes….

Quando o riso de uma nova manhã lhe é de tamanha importancia…

Quando sentes ainda pulsar algo dentro de ti.

Quando sentes que ainda Deves acreditar.

Ah! Poupem-me palavras, discursos e fantasias! Tenho o direito de acreditar na mudança!

 

 

O Segredo de Vera Drake

26 Agosto, 2007

Vera Drake Pôster

Olha… Fazia tempo que não me emocionava deste jeito na frente d’uma teletela (é incrivel o poder desta caixa metálica de transformar tudo numa fantástica fábrica… de besteiras).

Bom… Tudo começa com a atuação de arrepiar da fantástica Imelda Staunton. É engraçado o seu poder para levar-nos como numa melodia. Indica a hora certa para não nos perdermos e nos emocionar-mos de verdade.

É um verdadeiro filme para roubar-lhe o ar por alguns instantes… Grande roteiro, trilha sonora envolvente e… acima de tudo… Um elenco excepcional (não canso de dizer isto!).

 

Sinopse do “Cinema com Rapadura”:

“ …Imelda Staunton tem o papel que dá nome ao filme. Vera Drake é uma faxineira, mãe de família. Tem dois filhos, e seu marido trabalha na oficina mecânica do irmão para que possa dar um sustento maior em casa. Sem o conhecimento da família, Vera faz, gratuitamente, abortos em meninas e mulheres que pedem a sua ajuda para isso. Em um desses casos, uma das garotas tem que ir ao hospital por uma complicação, o que desencadeia a desconfiança da polícia. A estória é ambientada em Londres de 1950, mas é um tema atual, que ainda possui o mesmo tabu da época. O elenco também conta com Jim Broadbent, ganhador do OSCAR e do Globo de Ouro por Melhor Ator Coadjuvante em ‘Íris’, de 2001.”

 

Não vou contar muito sobre o filme, se não acaba perdendo o gostinho para vê-lo… Mas posso explicar porquê gostei tanto dele…

O símbolo representado por Drake e o seu olhar… Seu brilho mais infantil…

Inocente… E até cego…

Reprimido, humilhado… mais ainda assim esperançoso.

Este aí vai para a lista dos 10+

Hasta luego.

O Tratado de Retorno

26 Agosto, 2007

TRATADO DE RETORNO

Tudo se foi!

Não me culpem… Eles precisavam de um descanso… E eu, bem… Precisava recomeçar.

Havia pensado em retornar há algumas semanas atrás. Mas precisava (de verdade) de algumas explicações para mim mesma além dos habituais “não sei! Simplesmente não sei!”, seguidos de uma cara de interrogação.  

Não venha você pensando que já sei de todas respostas… Não. Ainda não consigo vê-las por completo… Mas… Acredito que talvez seja melhor desta forma. Às vezes é melhor não entendê-las por completo… mas sim sentí-las.

Talvez tenha começado a entender o porquê de toda esta necessidade de falar alguma coisa ou calar-me. Entendo que até para o silêncio há muito para se dizer…

Isto… se você sabe, é claro, Para quê veio.

Ouvi certo dia falarem na TV que todos tem algo para falar. Bem… Acredito nisso. Mas o que diferenciaria então cada indivíduo?

Somos então uma massa de bolo homogênea que clama da mesma forma? Gritamos todos juntos na frente d’um supermercado por melhores preços? Estamos todos a louvar um mesmo ideal?

Acredito que não.

É o que você abraça que vai alterar o seu discurso. Cada mínima palavrinha que sai da tua boca está infestado de significados desta ou daquela corrente.

Aiaiai… Já consigo escutar aquele rapazinho da última fileira do teatro bradar:

- Ei! Não venha definir-me! Sou IMPARCIAL!

Ah! Esqueça. Saio daqui neste exato momento! Não és imparcial… nem parcial… És por completo estúpido!

Tomas partido assim que tomas consciencia. Não há nenhum muro suficientemente grande para que caibas em cima dele.

Entendido isto, basta saber quem tu és.

Era exatamente neste ponto em que encontrava-me há alguns meses atrás.

Estava parada diante d’uma estrada de tijolos amarelos numa bifurcação. Precisava parar um pouco… Sentar diante das placas e analisá-las… Escolher a minha verdade e decidir para que diabos vim!

Aqui está então, um pouco do que venho pensando:

Decido então não vender meus sentimentos nem tornar-me uma grande e imbecil operadora de máquinas.

Decido preservar os sentimentos que uma sociedade idiotizada ainda não conseguiu tirar de mim.

Decido não tornar-me uma marionete.

Decido pensar.

Decido abraçar a coletividade.

E por fim, mas não menos importante, permito-me sentir.

———————————————————————

Respire fundo. Feche os olhos. Controle-se… As vezes é necessário. Mas nunca… Nunca deixe de sentir.

Acordei e tudo se foi.

Uma cartola negra cobre tudo o que um dia foi digno… Fecha os olhos, criança, e grita bem alto. Alguém há de ouvir teus olhos brilharem em meio a isto tudo. Ainda podes contar uma história diferente.