O Tratado de Retorno

26 Agosto, 2007

TRATADO DE RETORNO

Tudo se foi!

Não me culpem… Eles precisavam de um descanso… E eu, bem… Precisava recomeçar.

Havia pensado em retornar há algumas semanas atrás. Mas precisava (de verdade) de algumas explicações para mim mesma além dos habituais “não sei! Simplesmente não sei!”, seguidos de uma cara de interrogação.  

Não venha você pensando que já sei de todas respostas… Não. Ainda não consigo vê-las por completo… Mas… Acredito que talvez seja melhor desta forma. Às vezes é melhor não entendê-las por completo… mas sim sentí-las.

Talvez tenha começado a entender o porquê de toda esta necessidade de falar alguma coisa ou calar-me. Entendo que até para o silêncio há muito para se dizer…

Isto… se você sabe, é claro, Para quê veio.

Ouvi certo dia falarem na TV que todos tem algo para falar. Bem… Acredito nisso. Mas o que diferenciaria então cada indivíduo?

Somos então uma massa de bolo homogênea que clama da mesma forma? Gritamos todos juntos na frente d’um supermercado por melhores preços? Estamos todos a louvar um mesmo ideal?

Acredito que não.

É o que você abraça que vai alterar o seu discurso. Cada mínima palavrinha que sai da tua boca está infestado de significados desta ou daquela corrente.

Aiaiai… Já consigo escutar aquele rapazinho da última fileira do teatro bradar:

- Ei! Não venha definir-me! Sou IMPARCIAL!

Ah! Esqueça. Saio daqui neste exato momento! Não és imparcial… nem parcial… És por completo estúpido!

Tomas partido assim que tomas consciencia. Não há nenhum muro suficientemente grande para que caibas em cima dele.

Entendido isto, basta saber quem tu és.

Era exatamente neste ponto em que encontrava-me há alguns meses atrás.

Estava parada diante d’uma estrada de tijolos amarelos numa bifurcação. Precisava parar um pouco… Sentar diante das placas e analisá-las… Escolher a minha verdade e decidir para que diabos vim!

Aqui está então, um pouco do que venho pensando:

Decido então não vender meus sentimentos nem tornar-me uma grande e imbecil operadora de máquinas.

Decido preservar os sentimentos que uma sociedade idiotizada ainda não conseguiu tirar de mim.

Decido não tornar-me uma marionete.

Decido pensar.

Decido abraçar a coletividade.

E por fim, mas não menos importante, permito-me sentir.

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Respire fundo. Feche os olhos. Controle-se… As vezes é necessário. Mas nunca… Nunca deixe de sentir.

Acordei e tudo se foi.

Uma cartola negra cobre tudo o que um dia foi digno… Fecha os olhos, criança, e grita bem alto. Alguém há de ouvir teus olhos brilharem em meio a isto tudo. Ainda podes contar uma história diferente.

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