Terra

Quero que passes rápido por mim…
Não deixe gravado vestígios de ti…

Voe…
Atravesse os campos da minha visão e apenas vá embora…

Deixe a claridade beijar-me os olhos,
para que assim tenha certeza de que estes ainda são tempos de mudança…
Quero ver o céu sendo tomado…
as manchas vermelhas duma revolução surgindo…
muros sendo destruídos…

Cansamos de ser dopados…
Não quero dormir…

Devolva-me apenas os sonhos…

Aquele Sobre Momentos

31 Agosto, 2007

Lênin

Existe um dado momento…

Algo de mais sublime na nossa existencia…

Um dado momento, quando entendemos por que ainda devemos acreditar em borboletas verdes….

Quando o riso de uma nova manhã lhe é de tamanha importancia…

Quando sentes ainda pulsar algo dentro de ti.

Quando sentes que ainda Deves acreditar.

Ah! Poupem-me palavras, discursos e fantasias! Tenho o direito de acreditar na mudança!

 

 

O Segredo de Vera Drake

26 Agosto, 2007

Vera Drake Pôster

Olha… Fazia tempo que não me emocionava deste jeito na frente d’uma teletela (é incrivel o poder desta caixa metálica de transformar tudo numa fantástica fábrica… de besteiras).

Bom… Tudo começa com a atuação de arrepiar da fantástica Imelda Staunton. É engraçado o seu poder para levar-nos como numa melodia. Indica a hora certa para não nos perdermos e nos emocionar-mos de verdade.

É um verdadeiro filme para roubar-lhe o ar por alguns instantes… Grande roteiro, trilha sonora envolvente e… acima de tudo… Um elenco excepcional (não canso de dizer isto!).

 

Sinopse do “Cinema com Rapadura”:

“ …Imelda Staunton tem o papel que dá nome ao filme. Vera Drake é uma faxineira, mãe de família. Tem dois filhos, e seu marido trabalha na oficina mecânica do irmão para que possa dar um sustento maior em casa. Sem o conhecimento da família, Vera faz, gratuitamente, abortos em meninas e mulheres que pedem a sua ajuda para isso. Em um desses casos, uma das garotas tem que ir ao hospital por uma complicação, o que desencadeia a desconfiança da polícia. A estória é ambientada em Londres de 1950, mas é um tema atual, que ainda possui o mesmo tabu da época. O elenco também conta com Jim Broadbent, ganhador do OSCAR e do Globo de Ouro por Melhor Ator Coadjuvante em ‘Íris’, de 2001.”

 

Não vou contar muito sobre o filme, se não acaba perdendo o gostinho para vê-lo… Mas posso explicar porquê gostei tanto dele…

O símbolo representado por Drake e o seu olhar… Seu brilho mais infantil…

Inocente… E até cego…

Reprimido, humilhado… mais ainda assim esperançoso.

Este aí vai para a lista dos 10+

Hasta luego.

O Tratado de Retorno

26 Agosto, 2007

TRATADO DE RETORNO

Tudo se foi!

Não me culpem… Eles precisavam de um descanso… E eu, bem… Precisava recomeçar.

Havia pensado em retornar há algumas semanas atrás. Mas precisava (de verdade) de algumas explicações para mim mesma além dos habituais “não sei! Simplesmente não sei!”, seguidos de uma cara de interrogação.  

Não venha você pensando que já sei de todas respostas… Não. Ainda não consigo vê-las por completo… Mas… Acredito que talvez seja melhor desta forma. Às vezes é melhor não entendê-las por completo… mas sim sentí-las.

Talvez tenha começado a entender o porquê de toda esta necessidade de falar alguma coisa ou calar-me. Entendo que até para o silêncio há muito para se dizer…

Isto… se você sabe, é claro, Para quê veio.

Ouvi certo dia falarem na TV que todos tem algo para falar. Bem… Acredito nisso. Mas o que diferenciaria então cada indivíduo?

Somos então uma massa de bolo homogênea que clama da mesma forma? Gritamos todos juntos na frente d’um supermercado por melhores preços? Estamos todos a louvar um mesmo ideal?

Acredito que não.

É o que você abraça que vai alterar o seu discurso. Cada mínima palavrinha que sai da tua boca está infestado de significados desta ou daquela corrente.

Aiaiai… Já consigo escutar aquele rapazinho da última fileira do teatro bradar:

- Ei! Não venha definir-me! Sou IMPARCIAL!

Ah! Esqueça. Saio daqui neste exato momento! Não és imparcial… nem parcial… És por completo estúpido!

Tomas partido assim que tomas consciencia. Não há nenhum muro suficientemente grande para que caibas em cima dele.

Entendido isto, basta saber quem tu és.

Era exatamente neste ponto em que encontrava-me há alguns meses atrás.

Estava parada diante d’uma estrada de tijolos amarelos numa bifurcação. Precisava parar um pouco… Sentar diante das placas e analisá-las… Escolher a minha verdade e decidir para que diabos vim!

Aqui está então, um pouco do que venho pensando:

Decido então não vender meus sentimentos nem tornar-me uma grande e imbecil operadora de máquinas.

Decido preservar os sentimentos que uma sociedade idiotizada ainda não conseguiu tirar de mim.

Decido não tornar-me uma marionete.

Decido pensar.

Decido abraçar a coletividade.

E por fim, mas não menos importante, permito-me sentir.

———————————————————————

Respire fundo. Feche os olhos. Controle-se… As vezes é necessário. Mas nunca… Nunca deixe de sentir.

Acordei e tudo se foi.

Uma cartola negra cobre tudo o que um dia foi digno… Fecha os olhos, criança, e grita bem alto. Alguém há de ouvir teus olhos brilharem em meio a isto tudo. Ainda podes contar uma história diferente.